Você está aqui

Disponível em:EnglishEspañolPortuguês

A segurança viária precisa de uma política pública integrada

Ricardo Sánchez, Encarregado da Divisão de Recursos Naturais e Infraestrutura da CEPAL, explica o caminho que os países da região percorrem para a conferência mundial sobre este tema, que será realizada no Brasil em novembro de 2015 (publicada em Notas da CEPAL Nº 83).

30 de março de 2015|Coluna de opinião

No mundo inteiro as lesões causadas pelos acidentes de trânsito constituem um importante problema de saúde pública que tem uma ampla gama de consequências sociais e econômicas.

Os esforços para abordar este tema no âmbito mundial, que culminaram com o lançamento em 2010 da Década de Ação para a Segurança Viária pela Assembleia Geral das Nações Unidas e a inclusão das metas de segurança viária nos objetivos de desenvolvimento pós-2015, ilustram o desafio persistente de alcançar uma mobilidade segura no contexto do desenvolvimento sustentável.

Devido às altas taxas de urbanização e motorização na América Latina e no Caribe, a segurança viária continua sendo um assunto de grande preocupação, apesar dos esforços nacionais e multilaterais realizados no âmbito da Década de Ação.

No período compreendido entre 2000 e 2010, não somente aumentou o número de mortos e feridos por acidentes de trânsito em alguns países, mas os controles sobre as medidas de segurança viária ficaram mais frouxos. Além disso, o tema da segurança viária está estreitamente vinculado à desigualdade na região, dado que as mortes se concentram principalmente em pedestres, os usuários mais vulneráveis das vias.

Como já destacou a CEPAL em suas diversas atividades e estudos, a diversidade de causas dos acidentes de trânsito na região implica a necessidade de uma política pública integrada que combine ações a curto, médio e longo prazo em áreas tão diversas como a infraestrutura viária, as condições dos veículos, as condutas dos usuários de transportes, a educação, o sistema de saúde e a fiscalização e controle das medidas.

Tendo em vista a complexidade do fenômeno e a diversidade de atores implicados, o quadro institucional da segurança viária deve explicitamente levar em conta as interações que diversos organismos (estatais, da sociedade civil e do setor privado) têm entre si, tanto no plano local como regional, e enfocar suas ações em usuários específicos das vias.

Neste contexto, é altamente significativo que um dos países da América Latina se tenha oferecido para acolher em novembro de 2015 uma conferência mundial de alto nível com o objetivo de fazer uma avaliação intermediária do progresso registrado na Década de Ação para a Segurança Viária. A decisão do Brasil de sediar a Segunda Conferência das Nações Unidas sobre Segurança Viária confirma o profundo reconhecimento do desafio que os acidentes de trânsito representam para os esforços regionais de alcançar os objetivos de desenvolvimento em condições de equidade e inclusão social.

Em preparação para a conferência no Brasil, a CEPAL, junto com a Organização Pan-Americana da Saúde, atualizará a situação de segurança viária na região e avaliará o progresso e os resultados das políticas públicas e da cooperação público-privada na redução da taxa de acidentes de trânsito. O objetivo é apoiar um diálogo regional sobre os desafios e melhores práticas regionais por ocasião da conferência mundial e reafirmar o compromisso regional de alcançar as metas concretas e ambiciosas de mobilidade segura e sustentável.

 

Contato

Assinatura

Receba as novidades da CEPAL por e-mail

Assine