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A igualdade reforça a eficiência econômica e fomenta a produtividade, o crescimento e a diversificação, segundo Alicia Bárcena

A Secretária Executiva da CEPAL ressaltou os efeitos positivos da igualdade para uma melhor recuperação após a pandemia, em evento de alto nível organizado pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas.

22 de julho de 2020|Comunicado de imprensa

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Alicia Bárcena, Secretária-Executiva da CEPAL
Alicia Bárcena, Secretária-Executiva da CEPAL, durante o evento virtual realizado no 22 de julho de 2020.
Foto: CEPAL

“Não existe uma compensação (trade-off) entre igualdade e eficiência econômica. Ambas se complementam e reforçam mutuamente”, assinalou Alicia Bárcena, Secretária Executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) num evento de alto nível organizado pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas (DESA).

A alta funcionária da ONU compartilhou visões com destacados especialistas internacionais, como o professor da Universidade Columbia e Prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz, os também professores da mesma universidade Jeffrey Sachs e José Antonio Ocampo e o ex-Presidente do Chile Ricardo Lagos, entre outros destacados painelistas, durante o lançamento de uma nova publicação do Conselho Consultivo de Alto Nível das Nações Unidas sobre Assuntos Econômicos e Sociais (HLAB).

No evento intitulado “Recuperar-se melhor: Desafios e oportunidades econômicas e sociais” (Recover Better: Economic and Social Challenges and Opportunities), Alicia Bárcena destacou a igualdade como um instrumento essencial na recuperação após a pandemia de COVID-19.

“Recuperar-se melhor na América Latina e no Caribe significa fazê-lo com igualdade, mas uma igualdade considerada como um objetivo do desenvolvimento econômico”, enfatizou. “O impacto da igualdade deve ser visto na produtividade, no crescimento e na diversificação econômica mediante uma expansão das capacidades humanas”, acrescentou.

Em sua intervenção, Alicia Bárcena assinalou que a igualdade é também necessária para a formulação de políticas, já que constitui um pilar na construção das instituições. “A pandemia nos mostrou que em nossa região temos a urgência de implementar uma mudança estrutural e nos atualizarmos em matéria tecnológica. Também nos mostrou muito claramente que a intervenção do Estado é crucial para a proteção social e a inclusão, já que o mercado não nos ajudará a igualar a sociedade”, declarou.

A Secretária Executiva da CEPAL recordou que, como disse recentemente o Secretário-Geral das Nações Unidas (António Guterres) em seu discurso no Dia Internacional de Nelson Mandela, precisamos de um novo pacto político e social que se materialize no âmbito nacional, regional e internacional.

Além disso, indicou que a pandemia mostrou as vulnerabilidades do modelo de globalização e a fragmentação das cadeias de valor produtivas. “Vínhamos de um mundo que já era mais desigual, com um multilateralismo enfraquecido por rivalidades geopolíticas, ao qual se somaram a mudança climática e uma economia baseada em combustíveis fósseis. Também na América Latina e no Caribe vínhamos de uma sociedade que tem menos confiança em seus governos, o que afeta a legitimidade da democracia”, indicou.

Em sua apresentação, Alicia Bárcena recordou que a experiência da região na década de 2000 foi positiva em termos de redução da pobreza: quase 60 milhões de pessoas saíram dessa condição. “Mas agora, devido à crise da pandemia, estamos no lado contrário”, explicou, já que se calcula que 45 milhões de pessoas voltarão à pobreza, ao que se soma uma contração econômica muito pronunciada.

Alicia Bárcena insistiu em que atualmente precisamos avançar rumo a uma mudança estrutural para diversificar e aumentar a intensidade tecnológica da estrutura produtiva latino-americana e uma maior cooperação multilateral, já que o maior risco que a região corre é voltar a uma reprimarização das economias, ao uso de combustíveis fósseis e às indústrias extrativas.

“As políticas industriais são essenciais para a seleção de alguns setores. Esta pandemia nos oferece a oportunidade de superar os velhos padrões de especialização e nos movermos rumo a uma transição energética, por exemplo, o que teria um impacto na substituição de importações”, disse ela.

Para obter uma maior igualdade é necessária uma proteção social universal, prosseguiu a Secretária Executiva da CEPAL. “Esse é um ponto-chave”, destacou, e deu como exemplo alguns países da região, como Costa Rica, Uruguai e Cuba, que conseguiram implementar sistemas de saúde mais inclusivos.

Alicia Bárcena enfatizou a importância de contar com sistemas tributários e de redistribuição da renda mais progressivos e universais. “Em suma, é preciso que o Estado tenha um papel mais forte para conseguir uma reforma fiscal. Esta é uma região (América Latina e Caribe) que não tributa o suficiente; temos uma carga tributária média de 22%, que é muito baixa em comparação com os países da OCDE. Os ricos deveriam pagar mais”, disse.

Neste âmbito, destacou a necessidade de contar com políticas fiscais expansivas e combater a evasão tributária. “Sobretudo, precisamos de uma maior integração regional. Isso é essencial. O mundo pós-pandemia será um mundo de regiões e blocos. Por isso, devemos nos mover juntos em nossa região”, finalizou.