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Países da região ressaltaram a urgência de avançar na inclusão e na transformação digital para sair da crise e alcançar um desenvolvimento com igualdade e sustentabilidade ambiental

O Presidente do Equador, Lenín Moreno e a Secretária-Executiva da CEPAL, Alicia Bárcena, presidiram a inauguração da VII Conferência Ministerial sobre a Sociedade da Informação da América Latina e do Caribe, que será realizada até quinta-feira.

23 de novembro de 2020|Comunicado de imprensa

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De esquerda a direita: Mario Cimoli, Secretário Executivo Adjunto da CEPAL; Alicia Bárcena, Secretária Executiva da CEPAL, e Luis F. Yáñez, Secretário da Comissão da CEPAL.
De esquerda a direita: Mario Cimoli, Secretário Executivo Adjunto da CEPAL; Alicia Bárcena, Secretária Executiva da CEPAL, e Luis F. Yáñez, Secretário da Comissão da CEPAL.
Foto: CEPAL.

A América Latina e o Caribe devem avançar com urgência na inclusão e na transformação digital, com base na integração regional e na cooperação internacional, para enfrentar a crise derivada da pandemia da COVID-19 e alcançar um desenvolvimento com igualdade e sustentabilidade ambiental. Afirmaram hoje, autoridades e funcionários internacionais durante a inauguração da VII Conferência Ministerial sobre a Sociedade da Informação da América Latina e do Caribe, organizada pela CEPAL e pelo Governo do Equador, e que será realizada de forma virtual até quinta-feira, 26 de novembro.

 “Hoje nenhuma sociedade pode alcançar o desenvolvimento se estiver à margem da tecnologia digital, por isso deve estar ao alcance de todos, sem exclusão de qualquer tipo. Ninguém pode ficar para trás”, afirmou o Presidente do Equador, Lenín Moreno, em mensagem transmitida durante a cerimônia de abertura.

 “Comemoro esse encontro de ministros da região porque todos seremos beneficiados. Juntos podemos definir e fortalecer as políticas regionais, que sejam democráticas, que sejam inclusivas. Milhões de pessoas ficarão gratas”, considerou o Presidente, cujo país recebe a Presidência da Conferência Ministerial por dois anos.

Durante o seu discurso, Alicia Bárcena, Secretária-Executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), sublinhou que “a atual conjuntura, marcada por uma profunda crise desencadeada pela pandemia da COVID-19, destacou a relevância das tecnologias digitais e como a sua utilização tem sido essencial para o funcionamento da economia e da sociedade”.

Não obstante, ainda temos um terço da população da América Latina e do Caribe sem acesso à Internet, ressaltou.

Andrés Michelena, Ministro das Telecomunicações e da Sociedade da Informação do Equador, alertou sobre “a possibilidade real e potencialmente trágica de que essa crise arruíne uma geração de latino-americanos”. “Esse evento continental nos apresenta um grande desafio: passar de dizer a fazer. Sem recursos públicos e privados, e sem a alavancagem financeira dos organismos multilaterais e regionais, o caminho será árduo e difícil”, considerou. Por isso, o Equador se propõe a criar um fundo latino-americano para implantação rural de infraestrutura de telecomunicações, com pelo menos 1% do PIB de cada país colaborador, para reduzir a brecha digital, explicou.

Karen Abudinen, Ministra de Tecnologias da Informação e das Comunicações da Colômbia, também destacou a importância da conectividade e da transformação digital, apresentando algumas das principais iniciativas realizadas por seu país em matéria de inclusão digital. "Conectividade é igualdade", ressaltou. “Estamos orgulhosos de poder entregar esta Presidência ao Equador”, acrescentou Abudinen, que expressou sua segurança de que este país terá uma agenda clara para continuar avançando e progredindo em igualdade digital.

Em uma apresentação intitulada “Tecnologias digitais para um novo futuro”, realizada após a cerimónia de inauguração, Alicia Bárcena revelou que na região existem mais de 40 milhões de domicílios não conectados e a metade está situada nos dois quintis mais pobres.

Dados do Observatório Regional de Banda Larga da CEPAL indicam que 77% dos domicílios rurais não estão conectados, assim como 42% dos menores de 25 anos e 54% dos maiores de 66 anos.

A Secretária-Executiva da CEPAL indicou que o serviço de banda larga móvel e fixa para o primeiro e segundo quintis custa 14% e 12% de suas rendas. Por outro lado, um terço dos países da região não atende os requisitos de velocidade de download necessários para usar soluções digitais.

 “Isso tem repercussões sociais de grande magnitude. 46% dos meninos e meninas com idades entre 5 e 12 anos vivem em que não estão conectados. Mais de 32 milhões de meninos e meninas não podem ter acesso a soluções de educação à distância”, exemplificou Bárcena, e propôs três grandes desafios para a região hoje: universalizar o acesso e a acessibilidade às tecnologias digitais; avançar na digitalização para a sustentabilidade ambiental; e alcançar uma transformação digital produtiva real.

 “Uma cesta básica para a população não desconectada custaria anualmente, cerca de 1% do PIB da região”, afirmou a representante da CEPAL, que enfatizou a necessidade de a digitalização ser totalmente incorporada aos processos produtivos. “A pandemia levará a uma enorme destruição do tecido produtivo. É previsto o fechamento de 2,7 milhões de empresas, o que provocará a perda de 8,5 milhões de empregos”, assegurou.

Durante a reunião, está prevista a aprovação da Agenda Digital para a América Latina e o Caribe eLAC 2022, dando continuidade a um processo regional iniciado há 15 anos.

 “As dimensões da agenda digital regional que devemos buscar e priorizar são a construção de capacidades internas, a inclusão de todos os atores envolvidos e a cooperação internacional”, apontou Bárcena. “Devemos de pensar em como utilizamos a digitalização, em como transformamos o que estamos fazendo em matéria digital e colocamos a serviço de uma recuperação pós-pandêmica que esteja baseada na sustentabilidade ambiental, na igualdade e na inclusão”, concluiu.